quinta-feira, 7 de março de 2013

A Cisma

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Poderia ser sem grafia mas não é.
A Cisma vive num T0 no centro da cidade, o prédio envelhecido dá sinais de ruina, mas a vista rio por entre as telhas e antenas, fazem-na sonhar e ela deixa-se ficar.
A sua casa não tem grandes mobilias, as que tem foram oferecidas, nunca ligou muito a essas coisas. As torneiras fazem barulho, esguicham quadras, advérbios sem modo, ouve-se sempre a porta do prédio, a todas as horas, mas pouca diferença faz porque está quase todas as horas acordada, muitas vezes sem querer.
Restam-lhe alguns retratos a preto e branco que foi encontrando pela estrada, alguns deixa por revelar em caixas pretas, umas velas assimétricas a esculpirem o que realmente interessa ver, de bracos abertos, quadros tortos, molduras vazias, sorrisos largos, aos encontrões às coisas, de ouvidos encostados ao peito do mundo e o estuque a desenhar continentes abstractos tombados no chão.
O candeeiro tão pouco dá luz, mas ela deixa-se ficar, a vista rio por entre as telhas e as antenas, fazem-na sonhar.
Tem vontade de esticar os músculos, de ver o que as ruas têm para mostrar, ouviu dizer que ainda há poetas vivos e gente boa.
Gostaria de vestir a roupa de domingo e vingar a cadeira de baloiço sua confidente cansada, mal acompanhada por meia dúzia de livros vincados a suportarem um piano velho do pouco uso.
Alguém escreveu na ombreira "não há estranhos quando a música é a mesma", ela não admite, mas na praceta já a viram a escrever sonâmbula entre poetas vivos e gente boa.
Membros:Bruno Camilo - Voz, Guitarra, Piano
João Nunes - Guitarra
Zito Tavares - Baixo
Diogo Lopes - Bateria

Quantas oitavas tem uma lágrima(ep) 2013

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